Cometa muito brilhante pode dar belo espetáculo no final de 2013

Um cometa recém-descoberto tem o potencial de criar um deslumbrante espetáculo celestial no final de 2013, quando se tornará tão brilhante que poderá ser visto no céu diurno.

Cometa

Descoberto por pesquisadores russos, o cometa denominado ISON se aproximará da Terra cerca de 1 bilhão de km e 939 milhões de km do Sol, em sua primeira passagem. Ele brilhará com magnitude -13 (e poderá se tornar mais brilhante que a lua cheia) na escala reversa utilizada pelos astrônomos para medir o brilho de corpos celestes (quanto mais baixo o número, mais brilhante o objeto).

Mas em seu periélio (ponto mais próximo do Sol), que será dia 28 de novembro de 2013, o cometa estará a 1,2 milhões de km da superfície solar, e é aí que poderá se tornar algo muito interessante de ser visto. Ele provavelmente brilhará o suficiente para ser visto em plena luz do dia.

O mais interessante aspecto desse cometa diz respeito a sua órbita preliminar, que tem uma notável semelhança com a do “Grande Cometa de 1680″. Esse cometa deu um verdadeiro espetáculo no céu; ele foi contemplado de dia, e conforme se movia para longe do Sol, sua longa se estendia de forma brilhante no céu crepuscular como um feixe de um holofote.

Grande Cometa de 1680

A similaridade das órbitas sugere que o Cometa ISON e o Grande Cometa de 1680 estão relacionados, ou talvez até sejam o mesmo objeto. Isso aumenta a expectativa que o evento possa ser tão belo quanto foi o do século XVII.

O cometa ISON será visível a olho nu antes do amanhecer, posicionado contra a Constelação de Leão em outubro de 2013.

Atualmente o cometa está entre as órbitas de Júpiter e Saturno, a mais de 1 bilhão de quilômetros de distância. Infelizmente existe uma chance, embora pequena, do objeto se desintegrar quando se aproximar do Sol, o que inviabilizaria o espetáculo.

De acordo com os pesquisadores, o cometa ISON é proveniente da nuvem de Oort, um conjunto de trilhões de rochas localizados a quase um ano-luz do Sol. Geralmente é de lá que os cometas de longo período (que demora mais de 200 anos para percorrer seu trajeto de ida e volta ao Sol) vem.

Eles só chegam ao sistema solar interior por causa de alguma “perturbação”, como uma colisão entre rochas gigantes em Oort. O cometa então é atraído pela força gravitacional do Sol, e faz um tour pelo sistema solar à centenas de milhares de quilômetros por hora. Ele contorna nossa estrela e retorna para “casa” após centenas ou até milhares de anos. É possível que ele repita o trajeto no futuro ou se torne mais um “perdido no espaço”, até se desintegrar.

O interior de um cometa é formado por gelo e poeira cósmica, e conforme se aproxima do Sol, a radiação faz com os gases se vaporizem, formando a coma (que envolve o núcleo do objeto) e uma ou várias caudas. Durante o periélio (evento que acontecerá com o ISON em 28/11/2013), o calor faz com que o cometa atinja seu pico de atividade, e sua cauda nesse período pode atingir milhões de quilômetros de comprimento, dependendo do tamanho do núcleo, sua composição e velocidade.

O vídeo abaixo foi registrado por uma nave da NASA:

Ainda não se sabe por quanto tempo o ISON ficará visível, mas a esperança por parte dos astrônomos e de todos nós é que ele seja um memorável fenômeno celestial. [Space]

Lucas Rabello tem 19 anos, mora em São Paulo, é formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, apaixonado por ciência, adora esportes, rock e livros de suspense. É administrador do Mistérios do Mundo (projeto que criou em 2011) e escreve diariamente para o site.

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